A estimativa da reserva ovariana é um dos pilares do planejamento reprodutivo. Explicar como essa reserva funciona ajuda as mulheres a buscar estratégias preventivas.
A relação entre o avanço da idade e a infertilidade feminina é um dos temas mais discutidos nos consultórios de ginecologia e reprodução assistida. Hoje, com a consolidação da mulher no mercado de trabalho e as mudanças nos planos familiares, o adiamento da maternidade para depois dos 35 anos parece ser uma tendência.
Apesar das possibilidades mais amplas para a mulher da sociedade contemporânea, é preciso considerar o relógio biológico. Um fator determinante importante dessa contagem regressiva do tempo é a chamada reserva ovariana.
Confira este artigo para compreender o que é a reserva ovariana, como ela se comporta ao longo da vida e de que forma ela está relacionada à fertilidade!
O que é reserva ovariana?
A reserva ovariana é, em termos simples, o estoque de óvulos que a mulher possui em seus ovários em um determinado momento da vida. Esse estoque sofre modificações em quantidade e qualidade com o envelhecimento.
Para entender a sua dinâmica, é importante saber que, ao contrário dos homens, que produzem novos espermatozoides a cada 90 dias até idades muito tardias, as mulheres já nascem com todos os óvulos que terão por toda a vida. Não há produção de novas células germinativas após o nascimento.
Esse estoque se forma ainda na vida intrauterina. A linha do tempo da reserva ovariana se desenvolve da seguinte forma:
- ao nascer, a menina tem cerca de 1 a 2 milhões de ovócitos guardados em folículos ovarianos;
- na puberdade, restam aproximadamente 300 a 400 mil óvulos (até esse momento, a maioria passou por um processo progressivo de degeneração natural, chamado atresia folicular);
- ao longo da vida reprodutiva, o corpo recruta um grupo de folículos ovarianos em cada ciclo menstrual, mas apenas um deles amadurece e libera um óvulo maduro na ovulação. Os outros que foram recrutados naquele mês sofrem atresia e são absorvidos pelo organismo;
- a partir dos 35 anos em média, a perda folicular numérica é agravada pela perda da qualidade desse óvulos, com diminuição da sua competência reprodutiva;
- na menopausa, a reserva ovariana se esgota (restam menos de 1.000 óvulos inertes), encerrando a fase reprodutiva da mulher.
Reserva ovariana, fertilidade e infertilidade
Existe uma relação entre a quantidade/qualidade da reserva ovariana e a capacidade de engravidar. Uma reserva saudável indica uma condição favorável para a concepção natural. Por outro lado, quando o estoque está abaixo do esperado para a faixa etária, baixa reserva ovariana, pode haver um encurtamento da janela de tempo biológico para a maternidade e isso requer atenção.
A infertilidade associada à reserva ovariana não é ditada apenas pela quantidade de óvulos que restam, mas principalmente pela qualidade deles. Conforme os óvulos envelhecem, eles se tornam mais propensos a erros na divisão celular e, por consequência, alterações cromossômicas numéricas (aneuploidias). Isso se traduz em menores taxas de fertilização, maior dificuldade de implantação do embrião no útero e um risco maior de abortamento.
O avanço da idade é o fator principal que afeta a reserva ovariana, mas algumas outras condições podem acelerar a perda de óvulos ou reduzir sua qualidade, prejudicando a reserva prematuramente:
- genética favorável à menopausa precoce, incluindo síndromes como a de Turner e a do X frágil;
- endometriose ovariana (presença de cistos endometrióticos nos ovários). Tanto o endometrioma em si quanto a cirurgia para removê-lo podem destruir o tecido ovariano saudável ao redor;
- tratamentos oncológicos e reumatológicos com medicações que causam dano frequentemente irreversível à reserva ovariana, como quimioterapia e radioterapia pélvica;
- cirurgias ovarianas para remoção de cistos ou tumores;
- fatores do estilo de vida, como o tabagismo, que também funciona como um acelerador da perda celular ovariana.
Exames para avaliação da reserva ovariana

Avaliar a reserva ovariana não faz parte dos exames de rotina do ginecologista geral (como os exames de prevenção ao câncer ginecológico). A avaliação da reserva é indicada em cenários bem definidos:
- casais com dificuldade para engravidar;
- mulheres de qualquer idade que pretendem adiar a maternidade e desejam fazer um planejamento reprodutivo seguro;
- pacientes com histórico familiar de menopausa precoce ou diagnóstico de síndromes genéticas que levam a falência ovariana prematura;
- mulheres diagnosticadas com endometriose ovariana e que precisam passar por cirurgia.
Para avaliar a reserva ovariana, os dois exames principais são a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH) e a ultrassonografia transvaginal para contagem de folículos antrais. O ideal é que o ultrassom seja realizado por um médico experiente e especialista em saúde reprodutiva.
Técnicas de reprodução assistida para infertilidade associada à reserva ovariana
No campo da reprodução assistida, há técnicas específicas para contornar problemas associados à reserva ovariana, dependendo do momento de vida da paciente. As opções incluem: congelamento de óvulos, fertilização in vitro (FIV) com protocolos personalizados de estimulação ovariana.
Congelar os óvulos é uma decisão cada vez mais comum entre mulheres que decidem adiar a maternidade para depois dos 35 anos ou que tem indicação médica para preservação da fertilidade. As células podem ficar criopreservadas por vários anos, preservando sua qualidade, e ser utilizadas no futuro em uma FIV.
Fique mais um pouco para ler o nosso artigo detalhado sobre como funciona a avaliação da reserva ovariana!

