A FIV é a técnica de reprodução assistida com as maiores taxas de sucesso, e a personalização do tratamento é a chave para o resultado positivo.
A medicina reprodutiva percorreu um caminho com muitas inovações desde o nascimento do primeiro bebê por fertilização in vitro (FIV), no final da década de 1970. O que antes era considerado um procedimento experimental tornou-se a técnica padrão-ouro para o tratamento de diversas causas de infertilidade, oferecendo esperança real a casais e indivíduos que não conseguem ter filhos naturalmente.
A FIV é hoje amplamente conhecida por suas altas taxas de êxito, mas ela não é uma indicação para todos. A reprodução assistida também engloba orientações de hábitos de vida e técnicas de baixa complexidade, como a inseminação artificial e a relação sexual programada, que podem ser bem-sucedidas para casais jovens com fatores leves de infertilidade.
Para os casos mais complexos, a FIV entra em cena como a ferramenta mais robusta e tecnológica da medicina reprodutiva. Contudo, o sucesso do tratamento depende de uma investigação minuciosa e da personalização de cada etapa do processo para atender às necessidades específicas da pessoa ou casal.
Leia mais e entenda melhor como a fertilização in vitro funciona!
O que é FIV?
A fertilização in vitro é uma técnica de alta complexidade em que a união entre o óvulo e o espermatozoide (fecundação) ocorre fora do corpo materno, em um laboratório de embriologia que simula com precisão as condições das tubas uterinas e do útero.
Diferentemente das técnicas de baixa complexidade, nas quais a fecundação ainda ocorre dentro do corpo da mulher, na FIV o médico especialista em reprodução humana e o embriologista detêm o controle sobre o desenvolvimento inicial da vida.
Após a formação dos embriões e o acompanhamento de sua evolução celular inicial, que é feito em incubadora com sistema de monitoramento contínuo, o embrião com maior potencial de implantação é selecionado e transferido para o útero.
Quais são as indicações?
A indicação da FIV não ocorre de forma aleatória, ela é o desfecho de um diagnóstico preciso da infertilidade feminina, masculina ou conjugal. As principais situações em que a técnica é recomendada incluem:
- fator tubário: casos de obstrução, dano ou ausência das tubas uterinas, impedindo o encontro natural dos gametas, a fecundação e o transporte do embrião para a cavidade do útero;
- endometriose: principalmente em estágios moderados a graves, onde a doença compromete a anatomia pélvica, a permeabilidade tubária e a reserva ovariana;
- fator masculino severo: quando há baixa concentração, baixa motilidade ou alterações graves na morfologia dos espermatozoides, incluindo casos de azoospermia (ausência total de espermatozoides no ejaculado);
- idade materna avançada: a FIV é indicada para mulheres acima de 35 anos, pois o tempo de espera por uma gestação natural após essa idade pode prejudicar cada vez mais a reserva ovariana (quantidade e qualidade dos óvulos);
- infertilidade sem causa aparente (ISCA): quando os exames básicos são normais, mas a gravidez não ocorre após um período de tentativas;
- necessidade de testes genéticos: casais com risco de transmitir doenças hereditárias ou histórico de falhas de implantação e abortamentos;
- casais homoafetivos e reprodução independente: quando há necessidade de uso de gametas doados ou útero de substituição.
Como a FIV é feita?

A FIV é composta por etapas sequenciais que exigem sincronia e rigor laboratorial. Veja o passo a passo:
1. Estimulação ovariana e monitoramento
O ciclo começa com o uso de medicações hormonais para estimular os ovários a desenvolverem múltiplos folículos (as estruturas que contêm os óvulos). Esse crescimento é monitorado por ultrassons seriados para ajustar as doses e determinar o momento exato da coleta.
2. Coleta de gametas
Quando os folículos ovarianos atingem o tamanho ideal, é realizada a punção folicular. Sob sedação leve, o médico utiliza uma agulha fina guiada por ultrassom transvaginal para aspirar os óvulos. Simultaneamente, o parceiro realiza a coleta do sêmen, que passa por preparo seminal laboratorial para selecionar os espermatozoides com melhor potencial fecundativo.
3. Fecundação
A união dos gametas ocorre em laboratório, em um procedimento altamente controlado. A técnica mais usada atualmente é a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), na qual um único espermatozoide é injetado dentro de um óvulo com o auxílio de um microscópio de alta precisão.
4. Cultivo e seleção embrionária
Os embriões que se formam na fertilização in vitro são mantidos em incubadora de última geração por 3 a 5 dias. O objetivo é levá-los até o estágio de blastocisto, fase em que o embrião possui maior complexidade celular e melhores chances de fixação no útero.
5. Transferência embrionária
O embrião (um ou mais, dependendo da idade materna) selecionado é introduzido no útero por meio de um cateter fino, procedimento também guiado por ultrassom. É indolor e não requer sedação. O número de embriões transferidos é limitado para minimizar os riscos de gravidez múltipla.
Quais são as principais técnicas acessórias?
A FIV pode ser potencializada por técnicas complementares conforme necessidade de cada paciente/casal. Veja quais podem ser acrescidas ao tratamento:
- teste genético pré-implantacional (PGT): permite o rastreio de anomalias genéticas no embrião, sobretudo cromossômicas numéricas (aneuploidias), antes da transferência para o útero;
- ovodoação e doação de sêmen: o uso de gametas de doadores é indicado quando há ausência de células reprodutivas próprias;
- útero de substituição (barriga de aluguel): quando há contraindicação médica para a gestação ou em casos de casais homoafetivos masculinos, essa é uma técnica recomendada;
- criopreservação: o congelamento de óvulos, sêmen ou embriões excedentes para uso futuro é altamente eficaz e apresenta taxas significativas de sobrevivência e gravidez posterior.
As taxas de sucesso da FIV são encorajadoras, chegando a ultrapassar 60% em condições ideais, mas são influenciadas principalmente por idade materna, qualidade dos embriões e receptividade uterina. Por isso, o tratamento deve começar na escuta e no planejamento terapêutico individualizado.
Quer saber mais sobre como a fertilização in vitro pode ser realizada? Acesse aqui o nosso artigo institucional completo sobre a FIV!

