A azoospermia é considerada um fator grave de infertilidade masculina, mas que pode, em muitos casos, ser superada com técnicas específicas de reprodução assistida.
Vários resultados são possíveis na investigação do casal infértil. A mulher não é a única que carrega a capacidade reprodutiva do casal, o homem também pode ter fatores de infertilidade. Para confirmar quais são as causas da dificuldade para engravidar, ambos devem ser avaliados com exames específicos.
O espermograma é o primeiro e mais importante exame solicitado para avaliar a saúde reprodutiva do homem. É por meio dele que o laboratório analisa a quantidade, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides. Em alguns casos, o resultado desse exame pode trazer um termo que gera muitas dúvidas: a azoospermia.
Abaixo, entenda o que é azoospermia e como ela pode ser superada!
Quais elementos compõem o sêmen?
Para deixar claro o que é azoospermia, primeiro precisamos desmistificar uma confusão muito comum: sêmen (ou esperma) e espermatozoides não são a mesma coisa:
- o sêmen é o líquido esbranquiçado liberado durante a ejaculação, ele funciona como um meio de transporte e nutrição para os espermatozoides;
- os espermatozoides, por sua vez, são as células reprodutivas propriamente ditas (os gametas), que são transportadas no meio do líquido seminal para entrar no corpo feminino e cumprir sua função de fertilizar o óvulo.
Além de conter os espermatozoides, o sêmen é composto por uma combinação de fluidos produzidos pelas glândulas acessórias do sistema reprodutor masculino. Os elementos que podem ser encontrados em uma amostra seminal incluem:
- fluidos das vesículas seminais: compõem a maior parte do sêmen, sendo um líquido rico em frutose, que serve como a principal fonte de energia para que os espermatozoides consigam nadar;
- fluidos da próstata: um líquido levemente ácido que contém enzimas essenciais para a liquefação do sêmen após a ejaculação;
- fluidos das glândulas bulbouretrais: secretados antes da ejaculação para lubrificar e neutralizar a acidez da uretra;
- espermatozoides: os gametas masculinos representam apenas menos de 5% a 10% do volume total ejaculado. Ainda que seja uma pequena fração, esse volume seminal pode conter mais de 50 milhões de células reprodutivas.
Os espermatozoides são produzidos nos testículos, depois migram para os epidídimos, onde permanecem maturando e ganhando a mobilidade necessária para nadar. Durante o ápice do estímulo sexual, eles viajam pelos canais deferentes, juntam-se às secreções das vesículas seminais e da próstata e formam o sêmen completo que será expelido no momento da ejaculação.
O que significa azoospermia?
Azoospermia significa ausência de espermatozoides. O homem que tem essa condição, portanto, não apresenta células reprodutivas no sêmen, embora o líquido seminal seja ejaculado em volume normal. Como não há alterações perceptíveis no fluido liberado na ejaculação, somente um espermograma pode detectar a falta de gametas.
Há dois tipos de azoospermia: obstrutiva e não obstrutiva. Entenda!
Azoospermia obstrutiva
Nesse caso, o homem possui uma produção de espermatozoides normal. O problema está em um bloqueio nos canais que transportam os gametas e impede que eles cheguem ao líquido seminal na hora da ejaculação.
A causa mais comum de azoospermia obstrutiva é a vasectomia. No entanto, a obstrução também pode decorrer de: infecções graves anteriores, como clamídia ou gonorreia, quando provocam a formação de tecido cicatricial devido ao processo inflamatório; traumas físicos na região escrotal; anomalias congênitas, como a ausência bilateral dos canais deferentes.
Azoospermia não obstrutiva
Esse é um quadro mais complexo, no qual os canais de transporte dos gametas estão saudáveis e desimpedidos, mas os testículos apresentam uma falha na produção dos espermatozoides (espermatogênese).
A azoospermia não obstrutiva pode ser causada por problemas testiculares ou pré-testiculares, incluindo:
- distúrbios hormonais (falha na produção dos hormônios estimulam os testículos);
- alterações genéticas e cromossômicas, como a síndrome de Klinefelter ou microdeleções do cromossomo Y;
- histórico de criptorquidia (testículos que não desceram para a bolsa escrotal na infância);
- varicocele grave não tratada;
- sequelas de tratamentos oncológicos;
- reposição hormonal de testosterona ou uso de esteroides anabolizantes.
Azoospermia e infertilidade
A confirmação inicial da azoospermia requer o discernimento correto se a causa é obstrutiva ou não obstrutiva. As causas obstrutivas costumam ter desfecho mais favorável, uma vez que a recuperação de espermatozoides é possível na grande maioria dos casos por técnicas de extração cirúrgica. Já as causas não obstrutivas decorrem de problemas relacionados à produção de espermatozoides, com cenários frequentemente mais complexos, denominados fator masculino severo ou grave.
Existem outras alterações que podem ser encontradas no espermograma: a oligozoospermia (baixa quantidade de espermatozoides); a astenozoospermia (baixa mobilidade espermática); a teratozoospermia (alterações no formato dos gametas).
Todas essas anormalidades prejudicam a fertilidade do homem em diferentes graus e, consequentemente, as chances de gravidez do casal. No entanto, e medicina reprodutiva atual dispõe de técnicas que possibilitam a recuperação de espermatozoides e a fertilização em laboratório.
Possibilidades de tratamento e técnicas de reprodução assistida
O tratamento da azoospermia depende da sua causa. Conforme o problema subjacente, é possível restabelecer a produção espermática e restaurar as chances de concepção natural. Contudo, em grande parte dos casos, o caminho para que o homem seja pai biológico envolve a reprodução assistida de alta complexidade associada a técnicas de recuperação espermática.
A fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) é a principal indicação para casais com infertilidade por fator masculino grave. Diante dos quadros de azoospermia, podem ser utilizadas as seguintes técnicas para recuperar gametas ainda contidos nos órgãos reprodutores:
- PESA e MESA, para coletar espermatozoides dos epidídimos, quando há azoospermia obstrutiva;
- TESE e Micro-TESE, para recuperar gametas em focos de espermatogênese nos testículos, em casos de azoospermia não obstrutiva.
Uma vez coletados por qualquer uma dessas técnicas, os espermatozoides são levados ao laboratório de embriologia para fertilizar os óvulos da parceira na FIV. Nas situações mais graves e raras, em que nenhum dos procedimentos de recuperação espermática consegue resgatar gametas viáveis, o casal pode considerar a doação de sêmen.
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